O “Mundo Invertido” de Stranger Things

por azeheblab 12 ago

O “Mundo Invertido” do seriado Stranger Things do Netflix , o mais popular do momento, não é só uma idéia de ficção do autor.

A hipótese de um universo paralelo ou “Muitos Mundos” surgiu décadas atrás, em 1957, pelo físico Hugh Everett.

O jovem candidato ao doutorado da Universidade de Princeton apareceu com uma idéia radical: a existência de universos paralelos, exatamente como o nosso. Esses universos estariam todos relacionados ao nosso. Na verdade, eles derivariam do nosso, que, por sua vez, seria derivado de outros. Nesses universos paralelos, nossas guerras surtiriam outros efeitos dos conhecidos por nós. Espécies já extintas no nosso universo se desenvolveriam e se adaptariam em outros e nós, humanos, poderíamos estar extintos nesses outros lugares.

A Explicação

A explicação para tudo está na física quântica. Imagine que você fosse um ser humano sólido quando um amigo olhasse você e, quando ele olhasse de novo, você tivesse assumido a forma gasosa. Isso ficou conhecido como o Princípio da Incerteza de Heisenberg. O físico Werner Heisenberg sugeriu que, apenas observando a matéria quântica, afetamos seu comportamento; sendo assim, nunca podemos estar totalmente certos sobre a natureza de um objeto quântico ou seus atributos, como velocidade e localização.

11937781733_bd60ac6a3a_bPara Everett, medir um objeto quântico não o força de um estado para o outro, mas uma medida tirada de um objeto quântico causa uma quebra no universo. O universo é literalmente duplicado, dividindo-se em um universo para cada possível desfecho da medida. Por exemplo, digamos que a função da onda de um objeto seja tanto de uma partícula quanto de uma onda. Quando um físico mede a partícula, existem dois desfechos possíveis: ela será medida como uma partícula ou como uma onda.

Quando um físico mede o objeto, o universo se quebra em dois universos distintos para acomodar cada um dos possíveis desfechos. Então, um cientista em um universo descobre que o objeto foi medido na forma de onda. O mesmo cientista, no outro universo, mede o objeto como uma partícula. Isto também explica como uma partícula pode ser medida em mais de um estado.

Pode parecer estranho, mas a interpretação dos Muitos Mundos de Everett tem implicações além do nível quântico. Se uma ação tem mais de um resultado possível, então – se a teoria de Everett estiver certa – o universo se quebra quando aquela ação é tomada, o que continua sendo verdade, mesmo quando a pessoa decide não tomar uma atitude.

Dentro do multiverso, tudo o que pode acontecer, dizem Everett e seus seguidores, acontece. Num desses universos, você nunca nasceu. Em outro, nenhuma estrela jamais se formou, e tudo o que há é uma escuridão sem fim.

Já um outro é exatamente igual a este aqui, com a diferença de que, neste momento, você está na Vila Olímpica, esperando para disputar os 400 metros medley da natação.

É como diz outro admirador de Everett, o professor Clarke, de Stranger Things: “Pela Teoria dos Muitos Mundos, existe um universo onde esta tragédia [a morte do Will] não aconteceu”.

Mas como acontece no seriado, daria para a gente entrar em contato com esses outros universos? Na prática, não. Porém teoricamente, sim.

A certeza de que a interpretação é teoricamente possível veio no fim dos anos 90, com a experiência mental – uma experiência imaginada, usada para provar ou desmentir teoricamente uma idéia – chamada suicídio quântico.

“Nesse experimento, imagina-se um homem prestes a puxar o gatilho de uma arma apontada para si. Quando o homem puxa o gatilho, há dois resultados possíveis: a arma dispara ou não. Neste caso, o homem vive ou morre. Cada vez que o gatilho é puxado, o universo se divide para acomodar cada resultado possível. Quando o homem morre, o universo não é mais capaz de se dividir baseado no ato de puxar o gatilho. O resultado possível para a morte é reduzido a um: a morte contínua. Mas com a vida, ainda sobraram duas chances: o homem continua vivo ou morre.

Mas quando o homem puxa o gatilho e o universo se divide em dois, a versão do homem que viveu não terá consciência de que na outra versão do universo dividido ele morreu. Ao invés disso, ele continuará vivo e terá outra chance de puxar o gatilho. E cada vez que ele puxar o gatilho, o universo vai se dividir novamente, com a versão do homem que vive permanecendo, e ele continua inconsciente de todas as suas mortes nos universos paralelos. Neste sentido, ele poderá existir indefinidamente. É a chamada imortalidade quântica.”

Esse experimento mental renovou o interesse na teoria de Everett, que foi, durante muitos anos, considerada bobagem.

Então, os universos paralelos realmente existem? Segundo a teoria dos Muitos Mundos, não podemos ter certeza, uma vez que não podemos vê-los ou senti-los de alguma forma. Então, se a teoria dos Muitos Mundos estiver certa, Einstein ainda está vivo em um universo paralelo. Imaginou?

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